quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Espeleologia - Exploração e Comportamento

Preparar uma exploração de ponta deve implicar uma pesquisa prévia sobre a zona onde está inserida, sobre a história do lugar e, acima de tudo, das explorações anteriormente realizadas. A Exploração é um acto em que nunca podemos prever em concreto o seu resultado final sendo, por isso, difícil precaver todas as situações.

[1] Este facto autêntico passou-se numa gruta dos Pirenéus da região de Áriège, bem conhecida dos pré-historiadores: guarda estátuas de argila únicas no mundo e a sua descoberta deve-se a uma sorte extraordinária.

Durante uma expedição cuja finalidade era o levantamento de gravuras das paredes de um divertículo da gruta, os filhos do conde Begouen descobriram uma passagem extremamente estreita que parecia dar acesso a uma série de galerias. Após várias horas de esforços, conseguiram alargar a passagem obstruída por concreções estalagmíticas e penetraram numa vasta e comprida galeria belamente concrecionada. O seu trabalho de pré-historiadores consistia em examinar conscienciosamente as paredes a fim de descobrir, se fosse possível, quaisquer novas pinturas ou gravuras. As delicadas e difíceis observações foram negativas e, pesarosos por aquele resultado decepcionante, caminharam lentamente até ao extremo da gruta que terminava em fundo de saco.

Como é regra em semelhantes casos, cada um deles escolheu um lado da galeria e os dois irmãos esperavam encontrar-se no fundo quando, estupefactos, tiveram de parar mesmo no último instante para não esmagar três bisontes esculpidos na argila, coisa até então desconhecida e que continua a ser única no mundo!

Foi grande o espanto, enorme a emoção. Refeitos da estupefacção, examinaram mais de perto aquele conjunto nada vulgar, dando voltas ao redor para melhor observarem todas as formas, e partiram logo a seguir para avisar o pai e os amigos que, sem quererem acreditar, foram imediatamente ver e admirar aquela descoberta extraordinária. Maravilhoso, direis. Sem dúvida, mas aquela descoberta sensacional não deu todos os resultados que se poderiam ter registado se tivesse sido feita nos nossos dias, pois espeleólogos experientes teriam agido diferentemente e não se lamentariam depois por não terem pensado naquilo que poderiam ter acrescentado à sua descoberta.

Ao redor dos bisontes, no chão, encontrar-se-iam, certamente, vestígios de pegadas, as quais permitiriam acompanhar as deslocações dos escultores ou dos oficiantes de cenas de magia e talvez, como aconteceu noutros lugares, determinar o seu número, idade…

Talvez houvesse também, no chão, sinais mágicos, como se encontraram seguidamente noutros locais da mesma gruta, mas certamente de menor importância do que aqueles que se poderiam ter encontrado naquele local especialmente escolhido para colocar as estátuas. Não restavam, portanto, para estudar, senão aquelas esculturas de bisontes. Mas que será feito dos vestígios da presença humana esmagados pelas sólidas botas dos exploradores?

Como é que se pode pensar em tudo?

Ainda que não esperemos fazer descobertas raríssimas, devemos manter uma atenção permanente e qualificada, pois elas podem surgir aos nossos olhos, de um momento para o outro, no mais profundo de uma caverna.

Muito mais culpados são os que, por negligência, antes de penetrarem numa gruta conhecida, omitem informar-se acerca do que foi descoberto pelos seus predecessores.

Assim foram esmagadas, por aqueles mesmos que as procuravam, as moldagens e gravuras no solo que faziam da gruta de Montespan um valioso lugar da pré-história.

Uma tal ignorância é criminosa, pois nestes casos não há a desculpa da surpresa.

[1] Transcrição do livro de Michel Bouillon “Descoberta do Mundo Subterrâneo”, pag. 13 e14 ano 1972.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Nascimento da Espeleologia Moderna

A primeira travessia subterrânea é realizada na região francesa dos Grands Causses, na gruta de Bramabiau, próxima da localidade de Camprieu, e com este acto nasce a espeleologia moderna decorria o ano de 1888.

Na época, este local atemorizava os camponeses locais que acreditavam que aí habitavam espíritos transtornados: foi com desdém que receberam a estranha caravana que acompanhava os exploradores pioneiros liderados por Edouard-Alfred Martel.

Martel visitou pela primeira vez a região no ano de 1883 e rapidamente se sentiu atraído pelas suas belezas cársicas. Viria a regressar depois com o intuito de a explorar. Conheceu então um capataz chamado “Poulard” que lhe falou e conduziu, um ano mais tarde, à entrada do fenómeno de Bramabiau, atractivo mas muito intrigante e inviolado.

Passaram quatro anos, Martel resolve enfrentar os seus temores e realizar o seu sonho inconsciente: atravessar a meseta de Camprieu.

Numa Quarta-Feira, a 27 de Junho de 1888, Martel e Marcel Gaupillat acompanhados por Claude Blanc, Émilie Foulquier e Auguste Parguel iniciam a exploração subterrânea às cascatas de Bramabiau.

Com o auxílio de um pequeno barco desmontável penetram pela saída da gruta, cerca de 800m, até à segunda cascata e ficam detidos neste ponto, intransponível para o barco.

No dia seguinte, às 8 horas da manhã, tentam descer as cascatas. Entram pela grande entrada da “Felicidad” e penetram no desconhecido: no local onde as águas se perdem.

Por volta das 10 horas, depois de percorrerem vários corredores e salas, chegam a um rio que inevitavelmente têm que percorrer por dentro de água. Martel, Blanc, Armand e Foulquier continuam sós a exploração e ao fim de mais 1 hora de difícil progressão, chegam à cascata onde haviam ficado detidos no dia anterior.

Depois de descerem a cascata, Foulquier reconhece os seus próprios rastos, segue-os e pouco depois chega à saída de Bramabiau, 90 metros abaixo do nível de entrada da “Felicidad”.

Martel e a sua equipa tinham conseguido realizar a enorme façanha: pela primeira vez na história da humanidade uma travessia subterrânea era concretizada. Este acto foi para Martel o seu primeiro grande descobrimento e para a espeleologia moderna, o seu nascimento.



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Expedição Áustria 2010


Pois é, passou mais um ano e o CEAE está de novo na Expedição Internacional em Loferer Schacht.

Este ano os objectivos centram-se em ultrapassar os 10.000m de galerias topografadas, localizar uma saída para o exterior ao nível das galerias inferiores e transformar num -1000m a gruta que, actualmente, tem 800m de profundidade.

A equipa deste ano não será exactamente a mesma do ano passado, alguns de nós, por motivos de força maior, não poderão estar presentes ou descer à caverna, eu sou um deles…

Assim, uma das percas deste ano será a recolha de imagem de vídeo da expedição no entanto, talvez se consiga uma boa recolha de fotografia 3D.

Deixo, no entanto, aqui um pequeno trailer da Expedição de 2009, vídeo que espero que esteja terminado ainda este verão.



Pode-se consultar a topografia da gruta em: http://www.caverender.de/davhgffm/davhgffm.htm#Plaene

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Expedição Angola 2010


Momentos para não mais esquecer...
Até para o ano!

domingo, 25 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Expedição Angola 2010


Amigos, por dificuldades em aceder com alguma regularidade à Net, temos vindo a actualizar o nosso diário  da expedição através do Twitter no site da Federação Portuguesa de Espeleologia.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Expedição, Angola 2010

Tá no ir!

África é em larga medida um continente praticamente desconhecido no que concerne ao meio subterrâneo. Um pouco por todo o continente, e em particular em Angola, existem fortes indícios de grandeza patrimonial subterrânea.
"Morro maluco"
Com a paz instalada há alguns anos foram criadas as condições básicas para a exploração espeleológica e consequentemente, com o seu êxito, para a revelação do mundo oculto que se esconde em mistério debaixo dos nossos pés, nesta região em particular.

Angola apresenta grandes áreas cársicas como são os casos de Nova Caipemba a Norte e do Planalto da Humpata a sul, no entanto, não existe qualquer base de dados ou listagem sobre o património espeleológico, desconhecendo-se por isso o seu número e qualidade.

Das várias áreas cársicas pesquisadas, a região do planalto da Huíla foi a que mais interesse suscitou por várias razões: o facto de as guerras pouco terem afectado a zona Sudoeste da província, diminuindo em muito o perigo de contacto com minas; o facto da cadeia marginal de montanhas se situar a uma altitude superior a 1000m; o conhecimento de algumas cavidades; e o acolhimento hospitaleiro das suas gentes.

Com base no estudo das áreas cársicas angolanas, encontramos no trabalho realizado pelo Prof. Ilídio do Amaral, “Nota sobre o do planalto da Humpata (Huíla), no Sudoeste de Angola”, a melhor descrição para o nosso esclarecimento. Isto é, nas suas notas, o autor refere os calcários dolomíticos (Silúrico/Câmbrico) do planalto da Humpata, como não sendo formas espectaculares de superfície, em contrapartida as subterrâneas são ricas e variadas. Refere ainda, que a existência de abundantes linhas e áreas de fraqueza produzidas em particular pelos movimentos tectónicos, a par do padrão rectangular de juntas e planos de estratificação, favorece a penetração e circulação das águas no subsolo que, regra geral, têm acesso possível apenas através de poços profundos.

Parto então com os meus colegas, guerreiros do mundo subterrâneo, esperando que os documentos resultantes desta expedição venham a contribuir para a valorização e potencialização do conhecimento do Património subterrâneo já existente e do que venhamos a encontrar, acrescentando ao mesmo tempo mais-valia cultural e económica à região em particular e à nossa espeleologia em geral.
Até à próxima postagem já em África, sigaaaa!!!