quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Expedição Áustria 2011

Loferer Schacht (Poço de Lofer)
Desenvolvimento: 10.000m
Profundidade: 806m.

Mais um ano, o terceiro consecutivo. A nossa equipa rumou até terras dos Alpes austríacos e juntou-se a outros bravos espeleólogos de mais três nacionalidades, no todo: Alemães, checos, romenos e portugueses.
A exploração desta zona em geral e em particular desta gruta, iniciou-se há cerca de 21 anos e desde então, em expedições anuais, se vem conquistando o desenvolvimento, que já é de cerca de 10 km, e a profundidade, cerca de -806m. De ano para ano as necessidades materiais e dureza física aumentam. Pessoalmente, acho que já tive a minha dose anual de frio e cansaço. Foram cinco dias e cinco noites em auto-suficiência, com uma humidade absoluta na ordem dos 99%, 0ºc de temperatura do ar e -4ºC de temperatura da rocha.
As condições extremas de exploração levam a que se realize um enorme planeamento de logística que todos os anos é rectificado. Seria impossível realizar uma exploração a esta profundidade se não se despendesse de dias, pois só para se chegar ao local de trabalho implicam dois dias de progressão. Na parte mais profunda, chega-se aos -806m. Apenas contamos connosco e, aqui, é sempre o companheirismo que impera!











terça-feira, 10 de maio de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

Operação Ariège 2008 - França


Réseau Félix Trombe – Henne Morte

A rede “Félix Trombe – Henne Morte” possui mais de 100km de desenvolvimento e 44 entradas, sendo a Péne Blanque uma delas.
O sector de Henne Morte foi descoberto por Marcel Loubens sob orientação de Norbert Casteret, durante a guerra, no início do ano de 1940.
Em 1943, Marcel Loubens, Joseph Delyeil e Norbert Casteret atingem a profundidade de 240m, mas a exploração é parada devido à guerra.
As grandes explorações são retomadas em 1946 e 1947, com o apoio do exército, e Marcel Loubens chega ao fundo do abismo, a -446m, o que para a época, faz da Henne Morte a gruta mais profunda de França.
Esta expedição, de uma amplitude rara para a época, revela a espeleologia ao grande público.
Presente na exploração, Marcel Ichac realiza o primeiro filme espeleologico que relata a exploração de uma gruta, acto até então completamente desconhecido.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Gruta do Formosinho

Inventário Cadastral
"Pérolas de Gruta"

sexta-feira, 4 de março de 2011

Expedição Angola 2010 - Os Nhaneka

"Nzambi a tu bane nguzu mu kukaiela"
(Deus nos dê forças para seguir)

GRUPO NHANEKA-HUMBE
Tanto entre os povos Nhaneka, quanto entre os Humbe, é levado a efeito sazonalmente a “Festa do Boi Sagrado”.

É um ritual de premonição, em relação aos resultados da colheita vindoura.

Um boi, malhado de preto e branco, é entregue pelo Soba aos cuidados de um Mene-Humbe -- grande pastor -- para que dele cuide até à época do ritual.

Na época própria, o Mene-Humbe, seguido por um cortejo de que fazem parte praticamente todos os habitantes da sanzala onde mora o Soba, dirige-se com o boi à casa deste chefe, que dá ao boi, na palma da mão, um pó branco preparado com cascas de árvore -- Omu-Abugulu.

Caso o boi não lamba o pó da mão do Soba, o presságio é negativo, o pastor responsabilizado e, dependendo do humor do Soba, pode até ser executado.

No caso de lamber o pó, o presságio é positivo, anuncia boas colheitas, o que é amplamente aplaudido pela população de seguidores.

Aí acontece uma festa apoteótica, em que a ordem de alegria geral é de tal maneira rigorosa que, enquanto a festa dure, estão vetados os cultos tristes.

A festa termina com o início do cortejo “ONDYELY”, em que o boi percorre todas as terras do Sobado, para que agora, já considerado sagrado, possa ser saudado por todos.

Outro costume curioso entre os Humbes, é quando uma moça pré-púbere engravida.

Os contactos sexuais, como na maioria dos povos em Angola, são encarados de forma natural, e jamais coibidos.

Qualquer garota, de qualquer idade, pode dormir com rapazes; o que não pode é engravidar.

Na tentativa de evitar que isso aconteça, as mães instruem as filhas a amarrar bem o pano da tanga entre as pernas, ou a praticar o coito interrompido; desvelos maternos bem intencionados, mas pouco práticos e nem sempre eficazes.

Quando acontece a gravidez indesejada a uma moça que ainda não tenha passado pelo ritual da puberdade, torna-se necessário que o feiticeiro a leve até à margem do Rio Kunene para um banho purificador, já que ela está conspurcada.

Na margem do rio, a moça sobe num galho de árvore que esteja bem sobre a correnteza, e que é cortado pelo feiticeiro, precipitando a moça no caudal violento; normalmente os jacarés do Kunene são mais rápidos para chegar à moça, do que ela nadar até à margem.

Uma das medidas práticas para evitar a gravidez das moças antes do ritual da puberdade é faze-las passar pelo ritual antes da puberdade fisiológica; o que por sua vez origina verem-se garotas com responsabilidades matrimoniais, em idade em que nas outras tribos apenas se ocupam com cantorias e brincadeiras infantis.

Entretanto, após a puberdade ritual, os nascimentos são amplamente festejados, a menos que sejam gémeos.

O nascimento de gémeos entre os Humbes, é sempre sinal de mau presságio, que só pode ser combatido por meio de uma série de rituais de contra efeito.

Mal nascem os gémeos, é chamado um Kimbanda para fazer a OKUTUNTHA, que consiste na lavagem da testa, nuca, cotovelos, joelhos e planta dos pés de toda a família.

Em seguida constrói-se fora da sanzala uma cubata para onde mãe e filhos são levados, e onde ficarão de quarentena por um largo período, determinado pelo feiticeiro; durante esse tempo, a mãe tem o encargo de, além de cuidar dos filhos, tecer dois pequenos cestos, que mais tarde lhes servirão de pratos.

No dia em que o feiticeiro der por findo o prazo de isolamento, vai logo de manhã avisar a mãe, e quando o sol estiver na vertical, o feiticeiro leva toda a família, pai, mãe e outros filhos além dos gémeos, para uma clareira no meio do mato, onde o pai haja erguido um estrado.

Lá chegados, o pai, a mãe e os gémeos, sentam-se nus no estrado, para que possam ser lavados com um preparado especial. A lavagem segue uma determinada ordem: Primeiro a mãe, depois o gémeo que primeiro tenha nascido, depois o pai, e por último o gémeo que nasceu em segundo lugar.

Só depois deste ritual é que as placentas podem ser enterradas, e a vida tomar um curso normal para a família.

É de notar que, apesar de toda a necessidade de purificação que causa o nascimento de gémeos, se forem trigémeos não acontece nada, absolutamente nada, procede-se como se houvesse nascido um só bebé.

Fonte: http://www.ritosdeangola.com.br/page.php?38Ver mais

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Expedição Angola 2010 - Os Muílas

O REGIME MATRIMONIAL



Entre os muilas, predomina a poligamia, como regime matrimonial, constituindo as suas mulheres uma fonte de riqueza, não só pelos trabalhos que fazem, mas também, e principalmente, pelo que recebem em pagamento, dos homens que com elas praticam adultério.

Para chegar ao casamento, o muila principia, naturalmente, pelo namoro, seguindo neste o ritual que a seguir se transcreve:

- Quando um rapaz pretende casar, depois de ter feito a escolha da que há de vir a ser sua companheira, encarrega uma irmã, prima ou sobrinha, de falar à rapariga pretendida, podendo, contudo, servir-se de outra pessoa de família como intermediária, mesmo que do sexo masculino. Obtida a concordância da rapariga, a intermediária - ou intermediário - vai falar aos pais da pretendida. Se estes concordarem com o casamento, a rapariga vai para a casa do pretendente, onde passa dois dias, dormindo com este, após o que regressa a sua casa. Quinze dias ou um mês depois, a pretendida volta novamente à casa do pretendente, para aí passar quatro dias, voltando a dormir com este. Contudo, tanto nas duas primeiras noites, como nas outras quatro, pretendida e pretendente não podem ter relações sexuais, muito embora lhes seja permitido dormir abraçados.

Após os quatro dias passados em casa do pretendente, a rapariga regressa a sua casa e, seguidamente os pais ou o tio materno do rapaz, conforme este viva com os primeiros ou com o segundo, e sem que este os acompanhe, dirigem-se à casa dos pais da pretendida, levando uma cabaça de "macau" ou um garrafão de vinho e um pano, o que representa o pedido de casamento . Os pais da pretendida perguntam então a esta se aceita ou não o casamento e, se a resposta for positiva, bebem a bebida e ela recebe o pano e veste-o. No caso da resposta ser negativa, ou se ela ainda não estiver resolvida a casar, os seus pais bebem da mesma maneira a bebida.


Aceite o casamento, tanto pela pretendida como pelos seus pais, o rapaz, uma semana depois do pedido, vai dormir duas ou quatro noites em casa dela. Nessa altura, os pais ou o tio do pretendente levam aos pais da sua futura companheira os bois que, na altura do pedido, tiver ficado estipulado entregarem, como alambamento - "Nontunha". No dia em isto sucede, à tarde, a noiva vai, acompanhada de uma irmã ou prima mais velha, para casa do seu marido, levando consigo uma cabaça, uma quimbala e uma panela, ficando assim realizado o casamento.

Se, posteriormente, o casamento vier a ser desfeito e a mulher tiver outro pretendente, este entrega ao ex-marido, em dobro, o alambamento por este entregue aos pais da mulher. Caso esta não volte a casar no prazo de dois anos - por vezes três -, o alambamento, também em dobro, é restituído ao ex-marido pela família.

O casamento é a maior ambição do homem, não por uma questão sentimental mas porque a mulher é, para ele, uma fonte de riqueza. Com efeito, como já ficou dito, a mulher representa um capital, tanto maior quanto maior for o seu número, pelo número de braços que representa para o trabalho e, consequentemente, uma maior abundância de mantimentos, a esperança de um maior número de filhos que, sendo do sexo feminino, representarão mais tarde outra boa fonte de receita com o recebimento do alambamento e, por último, uma verdadeira mina que, bem explorada, nos casos de adultério fará aumentar consideravelmente a sua riqueza com as "oukai" que receberão então, dos amantes das suas mulheres.

A fidelidade conjugal é, como se depreende, uma rara excepção por parte da mulher à libertinagem geral que se verifica, sendo frequente aquela ter um ou dois amantes certos, além dos ocasionais.

Em geral, quando o marido descobre a infidelidade da mulher, pouco ou nada se mostra incomodado com tal facto, desde que, naturalmente, os que com ela tiveram relações paguem a indemnização que o adultério lhe dá o direito a exigir, a qual consiste na entrega de um ou mais bois ou, muito raramente, de dinheiro, o que, como se disse já, contribui para aumentar a sua fortuna. É até frequente ser o próprio marido a facultar e a facilitar à sua mulher a prática de adultério, de comum acordo.

Também se verifica, embora muito raramente, o adultério praticado de comum entre maridos e mulheres, consistindo na troca temporária de mulheres, entre amigos, a que chamam "Oku-liyepa". É considerada uma prova de amizade muito íntima, o marido exigir que a mulher vá compartilhar da cama de um amigo, por alguns dias, estando este disposto a prestar igual favor.

Pode pois constatar-se que, no casamento e por parte dos homens, apenas existe o amor "animal", para satisfação das suas necessidades fisiológicas e o amor "material", pelos benefícios que a mulher, de uma maneira geral, lhes proporciona.

É muito limitado o poder do chefe de família, quanto aos filhos. Com efeito, seguindo o muila o regime do matriarcado, os tios maternos mandam mais nos sobrinhos que os próprios pais. Pode pois dizer-se, que o poder do chefe de família se limita em mandar na mulher, nos campos de um e outro e nas alfaias e gado, porque estas coisas, como a mulher, ela própria, foram por ele compradas.

A mulher, por sua vez, apenas exerce influência sobre os filhos, enquanto estes forem menores.



Fonte:http://www.pessoalissima.com/Homenagem/Muilas/Muilas_7.htmVer mais