quarta-feira, 19 de março de 2014

Património Subterrâneo da Arrábida Oriental IV

Lapa Verde
 
   A gruta ocupa uma área estimada de 2640m² e tem um desnível máximo de +6,60m, encontrando-se a sua entrada principal ao nível do mar. O desenvolvimento principal estimado da cavidade, em projeção horizontal, é de 120m segundo a orientação de SW-NE.
 
Topografia e Perfis
Geologicamente assenta sob Biocalcarenitos miocénicos com idades aproximadas de 15 Ma (M. T. Antunes, 1991). A sua génese está intimamente ligada a manifestações das fases de evolução da dinâmica litoral, ocorridas durante o período glaciar Würm, iniciado há cerca de 110000 anos (PAIS, J.; LAGOINHA, P., 2000). A ação de transgressão marinha, terá, devido às ações químicas e mecânicas exercidas pelo mar, alargado fraturas que resultaram em galerias e salas. Durante esse processo, a ação escavadora do mar originou um enorme número de Algares “alcantis” (quase uma centena) que correspondem a verticalizações do entalhe basal da arriba. Os “Alcantis”, ou algares cilíndricos representam um aspeto paisagístico subterrâneo raro ou mesmo único a nível nacional.

terça-feira, 11 de março de 2014

Património Subterrâneo da Arrábida Oriental III

 Gruta do Bafo
 
 A Gruta ocupa uma área estimada de 70m² e tem um desnível de -31,00m, encontrando-se a sua entrada à cota de 71m. A sua orientação preferencial posiciona-se para SE a partir da boca de entrada e o desenvolvimento principal estimado, em projeção horizontal, é de 60m segundo as orientações de NW-SE, SE-NW e W-E. Geologicamente encontra-se sob Biocalcarenitos miocénicos com idades aproximadas de 15 Ma (M. T. Antunes, 1991).
 
Planta e Perfil Desdobrado
 
A sua génese estará associada à tectónica que originou a falha e as diáclases onde a gruta se encontra instalada e se desenvolve. Não são muito expressivos os processos de carsificação, mas o alargamento do espaço subterrâneo, em alguns pontos da gruta, parece corresponder a fenómenos ocorridos durante o período glaciar Würm - iniciado há cerca de 110 000 anos e terminado há cerca de 10 000 anos - em que os níveis marinhos sofreram fenómenos de transgressão e regressão (PAIS, J.; LAGOINHA, P., 2000), sendo por isso, exercidas ações químicas e mecânicas sobre a rocha e fraturas que as terão alargado preferencialmente em profundidade.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014


Considerações Sobre a Morfologia e Génese do Património Espeleológico da Arrábida Oriental


A Cadeia da Arrábida é essencialmente constituída por sequências sedimentares carbonatadas, dolomíticas e margosas estendendo-se por cerca de 30 km ao longo de uma direção ENE - WSW. É uma pequena região montanhosa situada na parte meridional da Península de Setúbal e que corresponde à extremidade sul da Bacia Lusitaniana: é descrita como sendo a estrutura mais interessante e uma das mais importantes da tectónica de inversão de idade Miocénica registada nessa Bacia sedimentar (Choffat, 1908). De idade Miocénica, resultou de dois episódios compressivos principais: o primeiro entre 21,8 - 16,6 M.a. e o segundo entre 8 - 6,5 M.a. (Kullberg et al., 2000).

Depois das forças internas do planeta pressionarem a massa rochosa e esta emergir, a Arrábida foi sofrendo ações de intemperismo e de erosão, elementos que, entre outros, esculpiram a paisagem cársica e que por sua vez, frequentemente, determinam a evolução da paisagem subterrânea em geral.

No domínio da génese e evolução do que hoje é o património cavernícola do sector Oriental da Cadeia, podemos constatar vários fatores que terão contribuído para o perfil de carso e endocarso que hoje compõem esta zona; em regra, o setor oriental da Arrábida é dominado pelo anticlinal do Formosinho, com cerca de 10km de comprimento, e que está recortado por muitas falhas e outros acidentes de menor escala (Kullberg et al., 2000). A geomorfologia a que se assiste nas cotas mais elevadas não favoreceu a formação de zonas aplanadas - a água que à superfície cinzela formas espetaculares como lapiás parece migrar difusamente em profundidade condicionada pelos acidentes tectónicos. Nesta zona as grutas conhecidas estão instaladas preferencialmente nestes acidentes, não evoluem muito em profundidade, apresentam sinais de carsificação sendo frequentemente interrompidas pelo colapso e pela colmatação calcítica de blocos rochosos.

Às cotas intermédias, inferiores a 220m, a tectónica continua a parecer ser o ingrediente base para a instalação do endocarso, no entanto - e sendo uma forte questão a colocar -, nesta zona serrania há que considerar uma possível influência dos paleoníveis de mar correspondentes à vizinha Plataforma de Abrasão marinha do Cabo Espichel, provavelmente formada no Pliocénico, ocorrido aproximadamente entre os 5,3 e os 2,6 M.a., (Ribeiro et al., 1987). Dependendo da idade de cada cavidade, durante o processo de transgressão e regressão, o mar poderá ter tido alguma influência na génese e carsificação do endocarso através de processos químicos e mecânicos exercidos sobre as rochas. Não menos importante é o papel que a forte e densa vegetação da Arrábida tem atualmente no processo de carsificação. A manta morta constitui uma forte contribuição para o enriquecendo e elevação dos teores de CO² da água, aumentando a sua acidez, especialmente nos períodos de maior pluviosidade. As cavidades aqui conhecidas desenvolvem-se em fraturas alargadas pelos processos de carsificação, têm perfil semivertical e, por regra, são bastante colmatadas por recoberturas calcíticas.

Nas altitudes mais próximas do nível do mar, este aspeto parece ter sido o principal responsável pela evolução cársica subterrânea, especialmente na zona entre o Portinho da Arrábida e a Praia de Alpertuche. Contudo, há também que considerar outro aspeto: as rochas desse troço litoral são constituídas por Biocalcarenitos, sendo por isso, perfeitamente carsificáveis. As variações do nível marinho, devido às alternâncias dos ciclos de glaciação ocorridas durante o Quaternário, terão - através de processos químicos e mecânicos, conjugados com a carsificação - alargado fraturas e originado uma particular tipologia de cavernas (M. Telles Antunes, 1993). Instaladas nessas fraturas, observam-se cavidades isoladas e desenvolvidas, principalmente, em horizontalidade. Fazendo eco desta conjugação de fenómenos e representando a notável ação escavadora do mar, existe aí um complexo cavernícola que parece representar as verticalizações do entalhe basal da arriba pelo mar. Trata-se da Lapa Verde; uma gruta que se desenvolve ao longo da linha de costa, com dezenas de salas de várias dimensões e inúmeros poços cilíndricos - quase uma centena! Todo este conjunto é, com certeza, complexo e muito raro no nosso País.

Na zona Setentrional da serra, embora as haja em escassos números, outro perfil de pequenas cavidades ocorre. Sob o imponente esporão rochoso de Castelo dos Mouros e no Vale de Valongo, duas pequenas cavidades testemunham e fazem parte do que parece ser o resultado do encaixe destes dois vales fluviocársicos. Trata-se, provavelmente, de cavidades resultantes da combinação de fatores cársicos e fluviais.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Património Subterrâneo da Arrábida Oriental II

Gruta do Formosinho

     A Cavidade, de perfil semivertical, localiza-se junto ao monte Formosinho sob a zona “depressionada” de São João do Deserto, ligeiramente mais a sul do Vértice Geodésico. Situa-se à cota de 475m ocupando uma área estimada de 96m² e um desnível máximo em relação à cota de entrada de -29,20m. O seu desenvolvimento estimado, em projeção horizontal, é de 48m segundo a orientação SW-NE. Geologicamente encontra-se sob rochas sedimentares do Jurássico - J²p, com aproximadamente 150 Ma. (Manuppella et al, 1999).
Planta
É uma cavidade de génese tectónica situada no centro do anticlinal do Formosinho que é recortado por várias falhas (Kullberg et al, 2000). Numa dessas falhas de orientação N-S a cavidade instalou-se e evoluiu, primeiramente ao que tudo parece indicar, numa falha tectónica, seguindo-se, num segundo passo, a ação dos agentes geomorfológicos. Estes terão moldado o exocarso (superfície) gerando condições para que as águas pluviais se pudessem infiltrar com maior facilidade.

Simultaneamente o processo de carsificação também evoluiu; o húmus proveniente do coberto vegetal e os períodos frios que a serra atravessou terão constituído fatores para que a água que atingiu o endocarso (interior) aí chegasse suficientemente ácida, capaz de dissolver em parte a rocha, alargando e aprofundado desta forma as fraturas que a gruta ocupa.
Perfil Desdobrado
 
 
 

sábado, 31 de agosto de 2013

Património Espeleológico da Arrábida Oriental

Lapa Verde

As primeiras referências escritas à Lapa Verde aparecem-nos publicadas em 1957 por Rogério Claro, "Setúbal Após o Terramoto de 1755", que transcreve literalmente as informações fornecidas pelos párocos das igrejas de Setúbal, em 1758, relatando o estado das suas freguesias após o terramoto de 1755. Nelas se pode ler: «...entre a dita lapa (Lapa de Santa Margarida) caminhando para a parte da fortaleza tem algumas concavidades junto ao caminho muito perigosas donde ha noticia morreo hum religioso Arrabido, a que chamam Alcantis, que são como posos estreitos e se comunicam ao mar».

Há que referir que todas as gerações humanas que viveram nesta envolvente, seguramente, se deram conta da existência destes "Alcantis" que, sendo verticais e perigosos de aceder por terra, também se podiam aceder facilmente junto ao mar. É possível que parte do complexo cavernícola tenha sido utilizada pelo homem pré-histórico, sendo que a ação química e mecânica do mar que hoje a penetra poderá ter apagado para sempre os registos dessa memória. Há cerca de 30000 anos, com o avanço da glaciação Würm, o mar situar-se-ia a cerca de 60 metros abaixo do nível atual dando origem a uma planície litoral onde o homem de então circulava (PAIS, J.; LAGOINHA, P., 2000). O conjunto subterrâneo da Lapa Verde dispunha-se de excelentes abrigos à qual esses mesmos homens, por certo, não foram indiferentes. Em tempos atuais, a gruta é acedida por visitantes ocasionais e por espeleólogos que veem nela um conjunto cavernícola de génese única em todo o território arrabidense.
 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Património Cavernícola da Arrábida Oriental
Arrábida Oriental; inventário cavernícola da Arrábida oriental. Vídeo realizado no âmbito da CAS- Carta Arqueológica de Setúbal.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Espeleologia
Vídeo Reportagem da actividade espeleológica durante a feitura da CAS- Carta Arqueológica de Setúbal.