segunda-feira, 14 de abril de 2014

Descrição e Localização Geral das Cavidades da Arrábida Oriental

 

Distribuição Geral das Cavidades
 
De um modo geral, as grutas que compõem a porção territorial do Concelho de Setúbal, concretamente a parte meridional da Arrábida Oriental, são de pequenas dimensões, mas variadas. São aqui descritas todas as cavidades naturais penetráveis pelo ser humano, exceptuando abrigos, independentemente do seu desenvolvimento, que contenham o mínimo de informação que possibilite uma avaliação do seu destaque patrimonial no contexto local.
De todas as Cavidades, sete eram já existentes, oito são revelações e outras oito são inéditas. No que diz respeito ao património de interesse arqueológico que cada uma contém, é de referir que das vinte e duas, dez apresentam indícios de presença pré-histórica. Há ainda a salientar que, na maior parte, o património cavernícola encontra-se instalado e desenvolve-se sob duas principais unidades carbonatadas: em calcários do Jurássico - J²p e em Biocalcarenitos Miocénicos - MAz.
 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Património Subterrâneo da Arrábida Oriental VII

Gruta da Fenda do Bom Jesus da Arrábida

  Gruta diz respeito a um conjunto de fendas com orientação SW-NE, e que são, na sua generalidade, estreitas e altas desenvolvendo-se ao longo de poucos metros. Situa-se à cota de 314m desenvolvendo-se sob rochas sedimentares do Jurássico J1-2CL, com aproximadamente 160 Ma. (Manuppella et al, 1999). Ocupa uma área estimada de 150m² e tem um desnível máximo em relação à cota de entrada de -6,00m, sendo o seu desenvolvimento principal estimado, em projeção horizontal de 37m, segundo a orientação de NE-SW e SW-NE.


 Planta e Perfis 

   A sua génese estará associada ao anticlinal do Formosinho; uma estrutura intensamente fraturada, cortada por grande quantidade de falhas que definem uma estrutura em dominó (Kullberg et al, 2000). Admitindo a origem tectónica da cavidade em que por certo o fenómeno tectónico atrás descrito terá contribuído e sido determinante para a sua abertura, posteriormente a carsificação - que se deu e dá através das águas pluviais ricas em CO² - alargou-a através da dissolução e corrosão exercida sobre as rochas.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Património Subterrâneo da Arrábida Oriental VI

 
Gruta da Figueira Brava
 
A gruta, que possui uma ampla entrada sobre o oceano, tem um desnível máximo em relação ao nível médio das águas do mar de + 11,00m, ocupando uma área de cerca de 748m². O seu desenvolvimento principal estimado, em projeção horizontal, é de 74m segundo as orientações SE-NW e W-E. Geologicamente assenta sob Biocalcarenitos miocénicos com idades aproximadas de 15 Ma. (Manuppella et al., 1999).
 
Gruta da Figueira Brava; planta, perfis e cortes.
 
A sua génese terá emanado de dois fenómenos diferentes e sobrepostos. O primeiro é referente à carsificação - conjunto de processos baseados na infiltração da água e na dissolução que esta provoca sobre as rochas -, que resultou no alargamento das fraturas principais (M. T. Antunes, 1991). O segundo está intimamente ligado a manifestações das fases de evolução da dinâmica litoral, ocorridas durante o período glaciar Würm - iniciado há cerca de 110 000 anos e terminado há cerca de 10 000 anos (PAIS, J.; LAGOINHA, P., 2000). A ação de transgressão marinha terá, devido às ações químicas e mecânicas exercidas pelo mar, resultado no entalhamento basal sobre uma grande diáclase que percorre o maciço rochoso, alargando-a.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Património Subterrâneo da Arrábida Oriental V

 Gruta do Médico

A Gruta do Médico situa-se a cerca de 187m de altitude desenvolvendo-se sob rochas sedimentares do Jurássico - J²p, com aproximadamente 150 Ma (Manuppella et al, 1999). Ocupa uma área estimada de 174m² e tem um desnível de -21,00m. O seu desenvolvimento principal estimado, em projeção horizontal, é de 71m segundo a orientação SW-NE e NE-SW.

Planta

A sua génese parece ter sido muito condicionada pela tectónica e pela fracturação a ela associada. A cavidade, de perfil semivertical, abre-se ao longo do bordo de uma escarpa de falha que é intersetada por várias diáclases (Manuppella et al, 1999). A sua evolução em profundidade (endocarso) estará por certo intimamente relacionada com as águas pluviais, coberto vegetal e manta morta que fez elevar os níveis de CO², aumentando a acidez determinante para a dissolução da rocha calcária e concorrendo para o alargamento das fraturas presentes.
 
Perfil Desdobrado
 
 Não menos importante é o facto da gruta se situar a uma cota inferior a 220m, aspeto que pode indicar que tenha sofrido com as variações dos níveis marinhos ocorridos, durante o pliocénico, aquando da formação da zona aplanada do Cabo Espichel, período em que o mar se situou a estas altitudes (Ribeiro et al, 1987). Poderá, por isso, o mar ter contribuído para o alargamento da cavidade, uma vez que, durante a sua regressão lenta para os níveis atuais, a água doce carregada de CO² se terá depositado sobre a água salgada - devido às densidades - dissolvendo a rocha exposta e alargando as referidas fracturas.

segunda-feira, 24 de março de 2014


Grutas da Arrábida - Patrimónios que se Revelam
  A Serra da Arrábida não é propriamente uma região de grandes grutas, mas é sim uma região onde as grutas têm características de rara beleza e valor patrimonial. Ao Longo do tempo geológico, no silêncio e na imensidão da escuridão, na maior parte das suas grutas, as salas e galerias foram sendo recobertas e adornadas por formações estalagmíticas de rara beleza, e o resultado foi magnífico.
 
Gruta do Frade
 
 Mas, antes de qualquer desafio de aventura, de coragem ou de atrevimento para lhe aceder, é embrenhando-nos neste universo que verdadeiramente os nossos sentidos despertam. Por ser imensa a paisagem cavernícola da Arrábida, esta faz-nos sentir pequenos em relação ao espaço e ao tempo. Sentimos que aqui a nossa presença não passa de um mero momento, um abrir e fechar de olhos e já tudo passou. Esta paisagem, janela para o passado de momentos da história natural da região, conta-nos uma história que apenas começou e que jamais será terminada.
 
Gruta da Grande Falha
 
Estes mundos, museus da profundidade do tempo, presenciaram a chegada das primeiras comunidades humanas a este território, ainda em pleno período glaciar. O homem rapidamente se deu conta da utilização das grutas para se abrigar e proteger de outros animais, ou, presumivelmente, para realizar as suas experiências mágico-religiosas.
 
Por motivos ainda mal conhecidos, depois da chegada destes primeiros povoadores, há mais de 30 000 anos, seguiu-se um período em que aparentemente as grutas não conservaram testemunhos de actividade humana. 
 
Só mais tarde, há cerca de 7000 anos, com as primeiras comunidades de agricultores-pastores, voltamos a ter a utilização documentada das grutas. Nesta época, as populações vêm as grutas como espaço de repouso final para alguns dos seus entes queridos, existindo, inegavelmente, uma relação simbólica entre as cavidades e as crenças funerárias.
 
É a partir destas comunidades que as grutas registam uma utilização mais regular, atingindo há cerca de 4000 anos, no período da Idade do Bronze, talvez, a sua maior intensidade.
 
As comunidades da Idade do Bronze vão continuar a olhar para as grutas como espaços rituais, sendo que neste caso deixaram artefactos num longo conjunto de cavidades que parece acompanhar a linha de costa, desde a gruta mais a Ocidente, no Cabo Espichel, até à parte Oriental, no Portinho da Arrábida.
 
No final da Idade do Bronze e inícios da Idade do Ferro (séc. XI-X a.C. em torno de 1000 a.C.), as populações persistiram na utilização das grutas, tendo deixado vestígios em várias cavidades.
 
Lapa da Cova
 
Dos Fenícios, há cerca de 3000 anos, está muito bem documentada a utilização da Lapa da Cova como santuário, onde foram deixados muitos artefactos.


No período romano, há cerca de 2000 anos, a utilização das grutas está mal documentada. Esta utilização efectivou-se, talvez, como abrigos, ou numa situação muito pontual.
 
Os séculos VI-VIII parecem trazer para algumas grutas da Arrábida monges anacoretas cristãos, na sua necessidade de fugir ao mundo e se aproximarem de Deus. A sua presença está bem documentada em algumas grutas do Vale das Lapas.
 
Na época Islâmica as pequenas cavidades continuaram a acolher monges muçulmanos, casos das grutas do Vale das Lapas, onde deve ter existido uma madrasa (tipo de escola), dado que na Lapa 4 de Maio foi descoberta e identificada uma tábua de madeira com um excerto da surha (texto religioso) 39 do Corão.

Lapa 4 de Maio (tábua árabe)
 
Depois da época Islâmica há a utilização das grutas por pastores, como abrigos para si e para os seus animais, tendência seguida até aos dias de hoje.
 
Nesta zona serrana, o Património subterrâneo assume características singulares no panorama nacional. Possui testemunhos magnificamente preservados; de paleo-níveis de mar (praias elevadas), de fauna, de beleza litológica e de uma contínua ocupação humana.
 
A Arrábida na sua integridade, e do ponto de vista cultural e etnográfico, pode bem assumir a metáfora de “terras do princípio do Mundo”, espelham-se neste Museu da Profundidade do Tempo que são as suas Grutas e todo o seu Património Subterrâneo.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Património Subterrâneo da Arrábida Oriental IV

Lapa Verde
 
   A gruta ocupa uma área estimada de 2640m² e tem um desnível máximo de +6,60m, encontrando-se a sua entrada principal ao nível do mar. O desenvolvimento principal estimado da cavidade, em projeção horizontal, é de 120m segundo a orientação de SW-NE.
 
Topografia e Perfis
Geologicamente assenta sob Biocalcarenitos miocénicos com idades aproximadas de 15 Ma (M. T. Antunes, 1991). A sua génese está intimamente ligada a manifestações das fases de evolução da dinâmica litoral, ocorridas durante o período glaciar Würm, iniciado há cerca de 110000 anos (PAIS, J.; LAGOINHA, P., 2000). A ação de transgressão marinha, terá, devido às ações químicas e mecânicas exercidas pelo mar, alargado fraturas que resultaram em galerias e salas. Durante esse processo, a ação escavadora do mar originou um enorme número de Algares “alcantis” (quase uma centena) que correspondem a verticalizações do entalhe basal da arriba. Os “Alcantis”, ou algares cilíndricos representam um aspeto paisagístico subterrâneo raro ou mesmo único a nível nacional.

terça-feira, 11 de março de 2014

Património Subterrâneo da Arrábida Oriental III

 Gruta do Bafo
 
 A Gruta ocupa uma área estimada de 70m² e tem um desnível de -31,00m, encontrando-se a sua entrada à cota de 71m. A sua orientação preferencial posiciona-se para SE a partir da boca de entrada e o desenvolvimento principal estimado, em projeção horizontal, é de 60m segundo as orientações de NW-SE, SE-NW e W-E. Geologicamente encontra-se sob Biocalcarenitos miocénicos com idades aproximadas de 15 Ma (M. T. Antunes, 1991).
 
Planta e Perfil Desdobrado
 
A sua génese estará associada à tectónica que originou a falha e as diáclases onde a gruta se encontra instalada e se desenvolve. Não são muito expressivos os processos de carsificação, mas o alargamento do espaço subterrâneo, em alguns pontos da gruta, parece corresponder a fenómenos ocorridos durante o período glaciar Würm - iniciado há cerca de 110 000 anos e terminado há cerca de 10 000 anos - em que os níveis marinhos sofreram fenómenos de transgressão e regressão (PAIS, J.; LAGOINHA, P., 2000), sendo por isso, exercidas ações químicas e mecânicas sobre a rocha e fraturas que as terão alargado preferencialmente em profundidade.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014


Considerações Sobre a Morfologia e Génese do Património Espeleológico da Arrábida Oriental


A Cadeia da Arrábida é essencialmente constituída por sequências sedimentares carbonatadas, dolomíticas e margosas estendendo-se por cerca de 30 km ao longo de uma direção ENE - WSW. É uma pequena região montanhosa situada na parte meridional da Península de Setúbal e que corresponde à extremidade sul da Bacia Lusitaniana: é descrita como sendo a estrutura mais interessante e uma das mais importantes da tectónica de inversão de idade Miocénica registada nessa Bacia sedimentar (Choffat, 1908). De idade Miocénica, resultou de dois episódios compressivos principais: o primeiro entre 21,8 - 16,6 M.a. e o segundo entre 8 - 6,5 M.a. (Kullberg et al., 2000).

Depois das forças internas do planeta pressionarem a massa rochosa e esta emergir, a Arrábida foi sofrendo ações de intemperismo e de erosão, elementos que, entre outros, esculpiram a paisagem cársica e que por sua vez, frequentemente, determinam a evolução da paisagem subterrânea em geral.

No domínio da génese e evolução do que hoje é o património cavernícola do sector Oriental da Cadeia, podemos constatar vários fatores que terão contribuído para o perfil de carso e endocarso que hoje compõem esta zona; em regra, o setor oriental da Arrábida é dominado pelo anticlinal do Formosinho, com cerca de 10km de comprimento, e que está recortado por muitas falhas e outros acidentes de menor escala (Kullberg et al., 2000). A geomorfologia a que se assiste nas cotas mais elevadas não favoreceu a formação de zonas aplanadas - a água que à superfície cinzela formas espetaculares como lapiás parece migrar difusamente em profundidade condicionada pelos acidentes tectónicos. Nesta zona as grutas conhecidas estão instaladas preferencialmente nestes acidentes, não evoluem muito em profundidade, apresentam sinais de carsificação sendo frequentemente interrompidas pelo colapso e pela colmatação calcítica de blocos rochosos.

Às cotas intermédias, inferiores a 220m, a tectónica continua a parecer ser o ingrediente base para a instalação do endocarso, no entanto - e sendo uma forte questão a colocar -, nesta zona serrania há que considerar uma possível influência dos paleoníveis de mar correspondentes à vizinha Plataforma de Abrasão marinha do Cabo Espichel, provavelmente formada no Pliocénico, ocorrido aproximadamente entre os 5,3 e os 2,6 M.a., (Ribeiro et al., 1987). Dependendo da idade de cada cavidade, durante o processo de transgressão e regressão, o mar poderá ter tido alguma influência na génese e carsificação do endocarso através de processos químicos e mecânicos exercidos sobre as rochas. Não menos importante é o papel que a forte e densa vegetação da Arrábida tem atualmente no processo de carsificação. A manta morta constitui uma forte contribuição para o enriquecendo e elevação dos teores de CO² da água, aumentando a sua acidez, especialmente nos períodos de maior pluviosidade. As cavidades aqui conhecidas desenvolvem-se em fraturas alargadas pelos processos de carsificação, têm perfil semivertical e, por regra, são bastante colmatadas por recoberturas calcíticas.

Nas altitudes mais próximas do nível do mar, este aspeto parece ter sido o principal responsável pela evolução cársica subterrânea, especialmente na zona entre o Portinho da Arrábida e a Praia de Alpertuche. Contudo, há também que considerar outro aspeto: as rochas desse troço litoral são constituídas por Biocalcarenitos, sendo por isso, perfeitamente carsificáveis. As variações do nível marinho, devido às alternâncias dos ciclos de glaciação ocorridas durante o Quaternário, terão - através de processos químicos e mecânicos, conjugados com a carsificação - alargado fraturas e originado uma particular tipologia de cavernas (M. Telles Antunes, 1993). Instaladas nessas fraturas, observam-se cavidades isoladas e desenvolvidas, principalmente, em horizontalidade. Fazendo eco desta conjugação de fenómenos e representando a notável ação escavadora do mar, existe aí um complexo cavernícola que parece representar as verticalizações do entalhe basal da arriba pelo mar. Trata-se da Lapa Verde; uma gruta que se desenvolve ao longo da linha de costa, com dezenas de salas de várias dimensões e inúmeros poços cilíndricos - quase uma centena! Todo este conjunto é, com certeza, complexo e muito raro no nosso País.

Na zona Setentrional da serra, embora as haja em escassos números, outro perfil de pequenas cavidades ocorre. Sob o imponente esporão rochoso de Castelo dos Mouros e no Vale de Valongo, duas pequenas cavidades testemunham e fazem parte do que parece ser o resultado do encaixe destes dois vales fluviocársicos. Trata-se, provavelmente, de cavidades resultantes da combinação de fatores cársicos e fluviais.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Património Subterrâneo da Arrábida Oriental II

Gruta do Formosinho

     A Cavidade, de perfil semivertical, localiza-se junto ao monte Formosinho sob a zona “depressionada” de São João do Deserto, ligeiramente mais a sul do Vértice Geodésico. Situa-se à cota de 475m ocupando uma área estimada de 96m² e um desnível máximo em relação à cota de entrada de -29,20m. O seu desenvolvimento estimado, em projeção horizontal, é de 48m segundo a orientação SW-NE. Geologicamente encontra-se sob rochas sedimentares do Jurássico - J²p, com aproximadamente 150 Ma. (Manuppella et al, 1999).
Planta
É uma cavidade de génese tectónica situada no centro do anticlinal do Formosinho que é recortado por várias falhas (Kullberg et al, 2000). Numa dessas falhas de orientação N-S a cavidade instalou-se e evoluiu, primeiramente ao que tudo parece indicar, numa falha tectónica, seguindo-se, num segundo passo, a ação dos agentes geomorfológicos. Estes terão moldado o exocarso (superfície) gerando condições para que as águas pluviais se pudessem infiltrar com maior facilidade.

Simultaneamente o processo de carsificação também evoluiu; o húmus proveniente do coberto vegetal e os períodos frios que a serra atravessou terão constituído fatores para que a água que atingiu o endocarso (interior) aí chegasse suficientemente ácida, capaz de dissolver em parte a rocha, alargando e aprofundado desta forma as fraturas que a gruta ocupa.
Perfil Desdobrado
 
 
 

sábado, 31 de agosto de 2013

Património Espeleológico da Arrábida Oriental

Lapa Verde

As primeiras referências escritas à Lapa Verde aparecem-nos publicadas em 1957 por Rogério Claro, "Setúbal Após o Terramoto de 1755", que transcreve literalmente as informações fornecidas pelos párocos das igrejas de Setúbal, em 1758, relatando o estado das suas freguesias após o terramoto de 1755. Nelas se pode ler: «...entre a dita lapa (Lapa de Santa Margarida) caminhando para a parte da fortaleza tem algumas concavidades junto ao caminho muito perigosas donde ha noticia morreo hum religioso Arrabido, a que chamam Alcantis, que são como posos estreitos e se comunicam ao mar».

Há que referir que todas as gerações humanas que viveram nesta envolvente, seguramente, se deram conta da existência destes "Alcantis" que, sendo verticais e perigosos de aceder por terra, também se podiam aceder facilmente junto ao mar. É possível que parte do complexo cavernícola tenha sido utilizada pelo homem pré-histórico, sendo que a ação química e mecânica do mar que hoje a penetra poderá ter apagado para sempre os registos dessa memória. Há cerca de 30000 anos, com o avanço da glaciação Würm, o mar situar-se-ia a cerca de 60 metros abaixo do nível atual dando origem a uma planície litoral onde o homem de então circulava (PAIS, J.; LAGOINHA, P., 2000). O conjunto subterrâneo da Lapa Verde dispunha-se de excelentes abrigos à qual esses mesmos homens, por certo, não foram indiferentes. Em tempos atuais, a gruta é acedida por visitantes ocasionais e por espeleólogos que veem nela um conjunto cavernícola de génese única em todo o território arrabidense.
 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Património Cavernícola da Arrábida Oriental
Arrábida Oriental; inventário cavernícola da Arrábida oriental. Vídeo realizado no âmbito da CAS- Carta Arqueológica de Setúbal.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Espeleologia
Vídeo Reportagem da actividade espeleológica durante a feitura da CAS- Carta Arqueológica de Setúbal.

 

sábado, 27 de julho de 2013

Ateliê de Arqueologia - Vídeo Reportagem

Ateliê de Arqueologia - cozinha Mesolítica - na Quinta de Alcube, Setúbal. no Âmbito da preparação das atividades do futuro parque da pré-historia

 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Gruta do Soprador

Nova Descoberta na Cadeia da Arrábida


 


 




 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

Associação Arrábida Antiga

Video Apresentação



Os Dez Mandamentos:
1. A AAA visa contribuir activamente para a defesa, protecção, investigação, valorização, promoção, partilha e disseminação do património natural, cultural, arqueológico, espeleológico, rural, etnográfico e artístico da região da Arrábida, em particular, e do Mundo em geral.
...
2. Colaborar com entidades públicas e/ou privadas, na concretização de objectivos comuns, relacionados com as áreas de intervenção da AAA.

3. Colaborar com entidades nacionais e/ou internacionais, assim como associar-se ou filiar-se a outras Associações e Federações, ou outros organismos, cujas actividades se enquadrem no seu âmbito de acção.

4. Atrair o interesse público e comunitário para as diferentes actividades desenvolvidas.

5. Representar os legítimos interesses dos seus Associados junto das entidades públicas e/ou privadas.

6. Promover a interacção e a colaboração entre Associados.

7. Promover a educação e formação cultural, patrimonial e ambiental.

8. Promover o intercâmbio e a partilha de experiências no seu âmbito de acção, em contactos nacionais e internacionais, especialmente com organizações homólogas ou que visem objectivos similares.

9. Promover a multidisciplinaridade com o intuito de potenciar a concretização dos objectivos assumidos, nomeadamente por meio da organização e participação em seminários, simpósios, congressos, encontros, entre outras actividades similares.

10. Divulgar e partilhar as acções promovidas e os resultados dos estudos e investigações, nomeadamente por meio de publicações de carácter científico, pedagógico e de divulgação.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Loferer Schacht_ Crónica

Aventura Vertical

Falar sobre impressões vividas nesta espectacular gruta implica falar um pouco sobre os seus antecedentes e sobre a espeleologia em si. A espeleologia é muito mais que um desporto, embora tenha também a sua componente desportiva. É investigação, e investigar é adquirir conhecimento. Dificilmente um simples desportista se propõe a passar tanto tempo debaixo da terra, a uma profundidade tão grande e em condições de temperatura e humidade quase extremas. Simplesmente há locais bem mais agradáveis para exibirem os seus dotes desportivos.

A exploração deste fabuloso lugar vai, ano após ano, aumentando de dificuldade, cada vez mais implica uma maior logística e que haja na equipa espeleólogos bem experientes. Trata-se de uma exploração iniciada no inicio da década de 80 por polacos e por eles abandonada 10 anos mais tarde. Hoje, já leva cerca de 30 anos de explorações sistemáticas, e isso explica o mérito dos seus 10km explorados.

Entre os anos de 1990 e 1991, o Grupo DAV de Frankfurt, interessa-se pela exploração desta gruta e inicia um novo ciclo de exploração.

Topografa aparentes zonas inexploradas até aos -665m e na expedição de 1994 descobre um novo ramo, a -106m: o Frankfurter System.

Os trabalhos de topografia seguem em bom ritmo e são criadas três zonas de bivaque para apoio aos exploradores, que em 2006 alcançam a marca dos -800m.

Atingida esta profundidade, os objectivos aumentam para a pretensão de transformar o enorme percurso da gruta numa travessia e criar uma base de dados que permita estudar o seu microclima e a sua génese.

A exploração passa então a ter a colaboração de espeleólogos de várias nacionalidades que, unidos pelo interesse comum da descoberta, dão o melhor de si, trazendo para Loferer as experiências de exploração dos seus países de origem.

Pessoalmente, vindo de um Pais como Portugal, que se situa no Sul da Europa e onde a média de temperaturas das grutas é de cerca de 14ºC, este aspecto é certamente o maior desafio.

A profundidade das zonas de exploração obriga a vários dias em regime de auto-suficiência, só dependemos de nós, porque em caso de algum problema inesperado, acima de nós não há céu nem estrelas, apenas rocha, várias centenas de metros.

Depois de se iniciar a descida até à profundidade pretendida, depois do grande desafio técnico de progressão; de vencer poços, meandros sinuosos e estreitezas que nos vão deixando marcas no corpo, chega-se ao bivaque onde a equipa pernoita nos seguintes cinco dias e cinco noites. Aí apenas se repousa depois de cada dia de trabalhos de exploração.

Planeia-se em cada dia a exploração que, só por si, implica uma progressão de várias horas. A exploração diz respeito a trabalhos de mapeamento da rede cavernicola, equipagens de troços de passagem, desobstruções, levantamento de dados de temperatura/ humidade, imagem de vídeo etc.

Para cada uma destas tarefas implica que cada espeleólogo transporte consigo muito equipamento técnico que, num ambiente de percurso sinuoso, o vai desgastando fisicamente quase a cada passo que dá.

Não podemos esconder que existe muito sofrimento físico e dureza psicológica para se enfrentar uma exploração com este nível de exigência, no entanto ela é amplamente compensada.

Num mundo onde o homem já chegou praticamente a todo o lado, o mundo subterrâneo constitui uma das suas ultimas fronteiras do conhecimento. Ao se descobrir e ao explorar novos espaços, o espeleólogo está a revelar um novo mundo, a abrir as fronteiras para novas portas do saber. Aqui se encontram numa espécie de “museu da profundidade do tempo”, vários legados científicos, diferente dos da superfície, porque evoluíram aqui durante milhares de anos, em condições muito específicas e únicas. Um verdadeiro cavernícola é aquele que já perdeu o representante à superfície.

Revelar e ir revelando este conhecimento é a maior compensação que a equipa pode ter: dar novos mundos ao mundo!

O Loferer Schacht é uma gruta muito dura tecnicamente mas fantástica, é uma experiência nova a cada ano que passa, a cada situação nova que surge. Para cada situação nova requer novo planeamento, em que o grande segredo é a confiança que cada um tem nos seus companheiros de exploração: aqui é o companheirismo que impera!