segunda-feira, 15 de junho de 2009

Travessia du Pas-d`Estrech – La Cabane de St-Paul, França.

30 de Maio de 2007, depois de termos passado uma semana de mau tempo que nos obrigou a fazer uma selecção condicionada de saídas de campo, este dia foi um presente dos deuses.

Para mim as experiências das travessias são sempre um bónus com que nos presenteamos, passar pelos locais subterrâneos onde outros colegas exploradores gastaram os seus tempos acreditando no sucesso dos seus esforços, ver e sentir a forma como o conseguiram é sempre um estímulo para quando regressamos a Portugal e tentamos, à nossa escala, consegui-lo também.

Saímos bem cedo da nossa casa abrigo e lá fomos à nossa aventura calculada encontrando um cenário paisagístico à altura dos Grands Causses, este atenuou-nos a ansiedade de encontrar a difícil entrada da Grotte du Pás-d`Estrech. A travessia em si não teve nada de mais em termos técnicos, foi apenas uma agradável aventura, mais uma daquelas de treino e companheirismo para situações mais exigentes.

Encontramos belos meandros e outros que amaldiçoamos, salas com grandes dimensões e um conjunto de obstáculos entre os quais um lago que tivemos que transpor com um pequeno barco de borracha, mas o mais curioso de tudo foi já no fim da travessia.

Já abandonada, encontramos o que em tempos havia sido uma queijaria do queijo Roquefort. É incrível a relação do homem com as cavernas e aqui sentiu-se bem esse passado pouco distante e que, ao que pareceu, marcou bem o dia a dia da pequena aldeia a escassas centenas de metros de distância.







Passos na história.

• Em Agosto de 1931, Louis Balsan e P. Temple exploram 1400m de galerias.

• Em 12 de Agosto de 1932, Balsan e Robert de Joly detêm-se frente ao primeiro sifão.

• Ainda em 1932, Balsan explora os primeiros 700m da gruta do Pás d`Estrech.

• Em 1973 o Espeleo Clube Alpino do Languedoc explora o “Grand Affluent” e o afluente de la Fourche.

• Em 1983, o C.P.L.A mergulha os sifões terminais, acrescentando deste modo 2000m suplementares de galerias.

• Em 5 de Fevereiro de 1984, partindo da gruta do Pás d`Estrech, o Spéléo Club des Causses faz a junção com La Cabane ao nível da galeria “de la Bouteille”.


Equipa de 2007: Mário Oliveira, Ricardo Oliveira, Tiago Borralho, José Saleiro, Timóteo Mendes, Rui Francisco, Artur Silva, Cláudia Ferraria, Marília Moura e Pedro Pinto.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Cueva Coventosa, Espanha.

3 de Agosto de 2008, mais uma vez a Cantábria, mais uma vez a região do Alto Asón, mais um dia de boas memórias.
Depois da aventura que foi a travessia Cuivo - Mortero de Astrana a malta, ainda com o corpo moído, foi “bicar” a Cueva Coventosa.

Com uma rede subterrânea de mais 800m de desnível e com um rio subterrâneo de cerca de 30km de desenvolvimento, quatro pisos sobrepostos de galerias e, até há pouco tempo, com o maior poço vertical da Europa com 300m de profundidade, a Coventosa é a segunda maior cavidade de toda a Cantábria e a terceira de Espanha. Mesmo “bicando” valeu bem a pena e recomenda-se!




Passos na história
Sistema Cueto-Coventosa-Cubera

● Entre os anos de 1954 e 1966, os grupos franceses do Spéléo-Club de Dijon e Spéléo-Club de Paris, exploram os principais meandros da Coventosa.

● Os mesmos grupos, através de uma indicação dada por pastores, chegam à entrada da sima del Cueto e pouco depois alcançam a base dos poços, a 300m de profundidade, no ano de 1968.

● A partir do ano de 1968 as explorações prosseguem para unir as duas redes, sendo esse objectivo atingido em 1979 com a participação do Spéléos Grenoblois du Caf.

● Em 1979, o Spéléo-Club de Dijon mergulha no sifão e une-o com a rede de entrada da Coventosa.

O filme da excursão do CEAE à região cantábrica, em Agosto de 2008, está disponível para download em versão DVD e Blu-Ray, na área de vídeos do CEAE, em: http://www.lpn-espeleo.org/

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Gruta do Meio, Cabo Espichel.

A descoberta.

No dia 2 de Setembro de 2007, quando nos aproximávamos da entrada da Gruta da Garganta para rectificarmos as montagens que tínhamos usado nas ultimas explorações, vimos um grupo de pessoas junto à entrada do fojo das pombas. Vinham enquadradas numa actividade temática de um outro grupo, e para não perturbarmos a sua actividade nem sermos perturbados resolvemos antecipar o início das prospecções na área.

Como estava previsto, a zona alvo dizia respeito à continuação do prolongamento dos estratos que fazem parte da orientação da gruta da garganta, na parede exterior.
Fizemos a abordagem pelo topo da arriba onde foi feita uma equipagem que nos permitiu descer uns 40m sobre a parede fortemente inclinada e com materiais que se desagregavam com alguma facilidade, a partir deste ponto conseguimos ir realizando alguns pêndulos e alcançar pequenos buracos que não deixamos ao acaso. A meio da parede, numa dessas acções, vi outro buraco um pouco maior que aqueles que tinha visto até ali, rapidamente o alcancei e observei que continuava serra dentro.

Já juntos os três, eu, o Pedro Pinto e a Marília Moura, entramos então nesse espaço desconhecido onde registamos duas salas não muito grandes mas bem concrecionadas. Analisamos todos os cantos possíveis de oferecer continuação na orientação da estratificação mas, embora se visse num deles espaço a continuar, este era muito estreito devido a um preenchimento argiloso.

Passou uma semana. Voltamos à arriba para rectificar a equipagem de acesso, fazer pontos de fraccionamento e montar convenientemente um corrimão. Esta tarefa levou praticamente a tarde toda e já próximo do fim do dia, quando todos já estavam na gruta, o Zé Saleiro foi espreitar o local onde a gruta parecia continuar mas estreitava devido ao referido preenchimento. Os materiais eram soltos, então ele foi penetrando afastando-os com as mãos para os cantos e eu fui seguindo logo atrás para que se fosse preciso resgata-lo o pudesse puxar pelos pés. Foi penetrando, penetrando até que a certa altura já não havia retorno, só andando para a frente e a determinado momento, vencendo uma estreiteza muito difícil, demos com a continuação da gruta.
Seguiram-se oito dias mágicos de exploração e de agradáveis surpresas que ainda hoje perdura.

No principio da exploração, quando ainda estávamos a fazer a equipagem para descer a arriba, um elemento do grupo que ia visitar a entrada da gruta da garganta veio até nós e perguntou qual o objectivo daquilo que estávamos a fazer. O Pedro Pinto disse que íamos fazer uma prospecção na arriba e que (rindo-se) se nos demorássemos muito tempo era bom sinal, era sinal que tínhamos descoberto algo. Como nunca mais o vimos, acho que se cansou de esperar!





Primeira fase de exploração, passo a passo.


• 2 de Setembro de 2007 é identificada uma pequena entrada na arriba Norte do extremo Oeste do Cabo Espichel. Após uma descida com auxílio a técnicas de progressão vertical, foi descoberta uma lapa com duas salas.


• Depois da rectificação da equipagem de acesso à cavidade, dois elementos da equipa conseguem detectar uma estreita abertura no lado Este da segunda sala. Conseguindo lentamente progredir acabam por descobrir a continuação da gruta.

• Ao 3º dia a equipa concentra-se no local onde havia terminado a exploração na actividade anterior (zona mais a Este da gruta) e descobre uma pequena passagem estreita que os conduz, após alguma progressão semi-vertical, ao tecto de uma sala. Tomando as providências necessárias, acede a esta e descobre outras salas, uma rampa com forte inclinação que a leva a um sifão e sobre este um “minúsculo” buraco de onde se detectou circulação de ar.

• Ao 4º dia a equipa prepara-se para começar a desobstruir a estreiteza sobre o sifão. Dada a proximidade deste com o mar, é influenciado pela maré. Na ocasião, a descida da maré revela outra estreiteza que não tinha sido detectada na actividade anterior. Após uma tentativa bem sucedida para passá-la é revelado um novo sifão e uma rampa ascendente, seguido de um conjunto de salas e vários espaços indicando continuação.
. A equipa divide-se em dois para atacar duas zonas de exploração. Consegue-se uma segunda ligação à zona do primeiro sifão. Na frente de exploração mais avançada dois elementos conseguem progredir, por condutas fortemente inclinadas, mais de 50 m na vertical até se deterem numa estreiteza. Um dos elementos consegue passar e descobre uma das mais maravilhosas salas até aqui descobertas. Dá-se início aos trabalhos de topografia.

• Ao 8º dia desobstruiu-se a passagem para as últimas salas descobertas onde foram identificadas novas possíveis continuações.
http://www.lpn-espeleo.org/index.php?option=com_content&task=view&id=52&Itemid=49

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Trou des Corbeaux, França.

Não destaco neste post a Grotte des Corbeaux por nela ter passado particular experiência ou por aí ter realizado alguma gratificante exploração, refiro-me a ela apenas pela estonteante grandeza da sua boca de entrada. Quando no dia 10 de Junho de 2008, instalados na zona de Ariège vivendo mais umas das nossas experiências no exterior, folheávamos um guia sobre cavernas da região e nos saltou à vista este sítio. Fez-nos lembrar a nossa familiar Gruta da Garganta do Cabo, só que sem tecto e sem o mar a pôr-nos música nos ouvidos.

A 900m de altitude, abre-se em plena mata nas rochas Cretácicas muito fissuradas, um enorme poço com cerca de 60m por 30m de diâmetro e 30m de profundidade.
A primeira descida foi realizada por E. A. Martel até ao fundo da grande sala, situada logo à entrada. A restante gruta foi explorada pelo S. S. du Planturel.


Os franceses referem-se a esta caverna como sendo um ótimo espaço para a iniciação às técnicas de espeleologia, eu diria que talvez sim, mas depois de vencido o estigma do nó na “garganta”.



A Malta.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Gruta Garganta do Cabo, Cabo Espichel.

A primeira descida, desde que há referência, à gruta da garganta deve-se a uma equipa do CEAE-LPN no ano de 1985. Na altura a descida fez-se pela entrada do fojo das pombas, um enorme buraco no topo da falésia perfeitamente visível do santuário do Cabo Espichel.
No ano de 1995, uma equipa de espeleólogos do NECA desce de novo à base da grande sala de entrada e durante algum tempo, numa parte superior da cavidade, desobstruem e exploram uma zona de condutas forçadas colmatadas por areia. Na altura e ainda hoje este grupo reclama para si a descoberta total da gruta.

Início de Maio de 2006, a nossa equipa inicia uma nova abordagem à zona do Cabo Espichel começando por esta cavidade. Seguimos a tendência de desenvolvimento das grutas da Cadeia da Arrábida que, preferencialmente, seguem a junta de estratificação. Assim, analisando o mar que penetra na cavidade por uma fenda ao longo de morosos segundos, realizamos um conjunto de actividades para conseguir desvendar esse segredo. A inacessibilidade do sítio obrigou-nos a executar um sistema de montagem de cabos para nos permitir alcançar a parede oposta, único local que nos oferecia condições para iniciar a exploração propriamente dita.

O mar e seu estado sempre imprevisível fez com que todos os cuidados fossem acautelados, nos dias 19 e 20 de Agosto de 2006, eu o Pedro Pinto e a Marília Moura montamos a logística necessária para pernoitar dentro da gruta, na madrugada do dia seguinte, aproveitando os momentos de calmaria da mudança de maré conseguimos pendular sobre o mar e fazer uma montagem que permitiu, dias depois, à restante equipa concretizar a exploração com êxito.

Foram os momentos de exploração mais intensos que fiz até hoje, impróprios para cardíacos, e com resultados que nos permitiu tirar conclusões que mais tarde nos conduziu à maior descoberta subterrânea na zona do Cabo Espichel.




1ª Fase de Exploração.
Do início de Maio de 2006 até finais de 2007 a nossa equipa (CEAE-LPN) concretizou, como planeado, a primeira fase de exploração desta afortunada zona. Durante esse ano de exploração fizemo-nos sempre acompanhar de uma câmara de vídeo com a qual realizamos mais de 2000 minutos de película. Após alguns meses de trabalho colectivo de edição, e penso que posso falar por todos os meus companheiros, orgulhamo-nos de apresentar a toda a comunidade de espeleólogos portugueses e não só, um DVD que resume esse ano de exploração.

Pode ser descarregado em: http://www.lpn-espeleo.org/index.php?option=com_content&task=view&id=52&Itemid=49

quinta-feira, 19 de março de 2009

Travessia Gouffre du Burtetch – Grotte du Riusec, França.

A Gouffre du Burtetch fica inserida na região de Ariège, no lado francês dos Pirinéus, que é uma zona recheada de míticas redes de cavernas. Palmilhada pelos grandes exploradores franceses da primeira metade do século XX, é ainda hoje um paraíso para todos os espeleólogos que procuram enriquecer as suas experiências de exploração, pois sente-se no ar a presença desses pioneiros.
A 8 de Junho de 2008, eu, o Pedro Pinto, o Timóteo Mendes e a Sofia Abrantes saímos bem cedo da nossa casa abrigo e percorremos por estrada nacional cerca de 60km até à zona Arbas, aí começamos a subir por um caminho de montanha durante 18km chegando ao fim deste cerca de 1,5h depois. A partir deste ponto equipamo-nos, fizemos a distribuição de equipamentos e com o GPS na mão começamos a subir uma enorme e íngreme encosta até atingirmos a cota de 1510m.
Chegamos a uma clareira onde saltavam à vista duas enormes dolinas e pouco mais ao lado a espectacular entrada da Gouffre du Burtetch.
Um dos nossos objectivos era realizar o levantamento de vídeo da travessia, para isso tínhamos preparado três projectores “caseiros” para a iluminação com três baterias de 12V.

Depois de uma breve pausa para recarregar energias gastas durante a subida, entramos na caverna. Acedemos por uma entrada de 2mx2m com 10m de profundidade seguindo-se logo a grande sequência de poços, alguns com água à qual tivemos de evitar a todo o custo. A temperatura junto à entrada era de cerca de 4ºC e uma possível molha não era nada aconselhável.

Ao fim de umas quatro horas de intensa progressão chegamos à fabulosa grande “Salle A” de Riusec, possui cerca de 150mX100m e as nossas luzes não alcançavam as suas paredes. Realizamos nesta zona uma boa colecta de imagem e ainda houve tempo para fazer uma visita à “Salle Martel” que tem idênticas dimensões.

Seguimos o colector fóssil final que nos levou até à saída, era praticamente noite e, no meio da floresta pirenaica, não foi assim tão fácil descobrir o rumo certo até ao carro, era já noite caída quando o alcançamos.

Já nos preparávamos para voltar quando percebemos que o carro tinha perdido a bateria, eram dez horas da noite e esperava-nos uma caminhada de 18km montanha abaixo até que se conseguisse chegar a algum sitio onde alguém nos pudesse ajudar, caso contrario estávamos a 80km da casa abrigo, cheios de fome, frio e cansaço.

Valeu a todos o engenhocas do Timóteo, com as baterias que tínhamos levado para iluminação na gruta conseguiu por o carro a trabalhar…ufa! Valeu a pena ter um engenheiro por perto!


…passos na história.

● A Gouffre Burtetch foi explorada até -40m em 1934 por Félix e Louis Trombe. Os mesmos, mais tarde, conseguem progredir 110m a partir do nível superior da Grotte de Riusec.

● A 24 de Agosto de 1950 uma equipa militar dirigida por M. Auriol, consegue ligar as duas cavidades realizando assim a primeira travessia.

● A Grotte de Riusec inferior foi explorada em 1934 por Félix e Louis Trombe que realizam também a planta topográfica.

● A junção do nível inferior da Grotte de Riusec com o superior só é conseguida em 21 de Junho de 1963 pelo S.C. Paris.

● Em 1971, o mesmo grupo efectua a topografia do sistema.

● A primeira travessia em rapel é realizada pelo S.C. Paris e pelo Groupe Spéléo Foix a 31 de Outubro de 1971.

Faro de espeleólogo.

Uma história de pedras contada por Michel Bouillon.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Gruta do Frade, Serra dos Pinheirinhos.

A descoberta da mais bela cavidade portuguesa.

Sobre a serra dos Pinheirinhos, na costa de Sesimbra, havia sido detectado um pequeno buraco numa lapa junto ao mar conhecida pela população rural por “lapa do sono”.

A lapa era constituída basicamente por uma galeria abatida onde, debaixo destes abatimentos, havia espaços com formações de grande beleza. Num dos cantos, mais resguardados, havia um pequeno buraco pouco maior que uma mão fechada e de lá saia uma intensidade de ar muito forte, porém, o prolongamento e dureza da rocha que envolvia o buraco era tal que parecia ser impossível ter sucesso numa desobstrução. Valeu o apoio da Câmara Municipal de Sesimbra que nos presenteou com um martelo eléctrico e um gerador.

Durante o mês de Junho de 1999, a equipa constituída por mim, Francisco Rasteiro, João da Luz, Ricardo Mendes e Jorge Ribeiro criou condições para se poder iniciar a ambicionada desobstrução. Foi executada uma tirolesa em cabo de aço que permitiu a passagem de equipamento desde a entrada, junto ao mar, até ao local da desobstrução, foram passados cabos eléctricos por forma a que o gerador pudesse estar na rua e assim evitar o perigo de contaminação do ar por gases.


Durante uma semana fizemos da praia do ribeiro do cavalo, que dista cerca de 500m da gruta, a nossa base de exploração, aí comemos, aí dormimos, aí preparávamos a actividade do dia seguinte e dali saiamos para, determinados, “roer” mais um pouco de rocha.

O mar sempre inconstante, até no verão, fazia com que fosse necessário ficar sempre um de nós de vigia no pequeno barco de apoio, lá dentro, na frente de desobstrução, por vezes nem conseguíamos ver o que se estava a fazer. O pó que resultava da calcite que ia cedendo vinha-nos parar aos olhos, tínhamos de serra-los, ver pelo meio dos pêlos das pestanas porque os óculos de protecção não resultavam, ficavam rapidamente embaciados.

Os dias foram passando e a nossa ansiedade aumentando, lasca a lasca fomos conquistando espaço que nos permitiu descer cerca de um metro, ao fim de uma semana de intenso labor, já no fim do dia, conseguimos espreitar por baixo da estreiteza que tínhamos aberto e vimos um túnel repleto de formações.

A 21 de Junho de 1999 descobríamos um mundo subterrâneo encantado, difícil de descrever por palavras, incomparavelmente o mais belo de Portugal.

Seguiram-se quatro anos de exploração e seguramente os melhores da minha vida. Foram muitos os episódios de “cortar a respiração” à medida que a grandeza da gruta se ia revelando, mas houve um momento que para mim destaco.

Ao fim do terceiro dia de exploração chegamos a uma zona onde a gruta parecia acabar. Num canto, na orientação do colector que estávamos a seguir, havia uma densidade incrível de formações bem desenvolvidas, já nos preparávamos para regressar, quando o Jorge (Rato) por entre a profusão de formações foi tentar espreitar se a gruta continuava e desapareceu. Regressou com os olhos meio esbugalhados e quando lhe perguntamos o que é que tinha visto, respondeu: - épa não sei… é tudo branco!



…passos na história.

29 de Maio de 1996; três elementos da jovem associação de espeleologia, NECA, visita pela primeira um buraco junto ao mar conhecido pela população por “buraco ou lapa do sono”.

Junho a Agosto de 1996; são realizadas várias acções de alargamento de passagens nos cantos e nos abatimentos da lapa da qual resultam o surgimento de alguns espaços com formações de rara beleza.

21 de Junho de 1999; após uma semana de alargamento de um pequeno buraco onde vinha uma forte intensidade de ar, é descoberta a Gruta do Frade.

Novembro de 2001; o Programa Operacional do Ambiente que teve como parceiros o Instituto de Conservação da Natureza e a Câmara Municipal de Sesimbra, aprova um projecto de apoio à investigação espeleológica da gruta e área envolvente designado por “Projecto de Investigação do Sistema do Frade”.
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